O concurso de Perito Criminal do Acre voltou a aparecer em todo lugar – e com ele apareceu também muita informação apresentada como certeza que, na prática, ainda não é certeza nenhuma.
Este artigo separa o que está documentado do que é expectativa, mostra como foi o último concurso de Perito Criminal do estado (o edital de 2015, que ainda é a melhor referência específica que existe) e traz a minha leitura sobre o que esperar daqui pra frente.
Antes de tudo, o número que faz a maioria das pessoas parar para ler: hoje, a remuneração inicial de Perito Criminal no Acre é de cerca de R$ 16 mil, chegando a aproximadamente R$ 27 mil no final de carreira. Guarde esse dado, porque ele muda completamente a conversa sobre “vale a pena colocar o Acre no radar”.
Informações atualizadas em 22/10/2026.
Salário de Perito Criminal no Acre: R$ 16 mil no início, R$ 27 mil no fim da carreira
Vamos começar pelo que interessa e depois destrinchar o resto.
- Remuneração inicial: aproximadamente R$ 16 mil
- Final de carreira: aproximadamente R$ 27 mil
Esses valores colocam o Acre entre as carreiras periciais estaduais que compensam a mudança de vida — e explicam por que o concurso atrai gente do país inteiro, não só de quem mora na região Norte.
Um detalhe que quase ninguém observa e que ajuda a entender a estrutura desse contracheque: a remuneração de Perito no Acre nunca foi um “salário-base” único. Ela é composta por várias verbas. No edital de 2015, por exemplo, a remuneração de R$ 7.680,00 vinha assim:
| Verba | Valor (2015) |
|---|---|
| Vencimento básico | R$ 1.881,60 |
| Produtividade | R$ 1.152,00 |
| Representação | R$ 940,80 |
| Risco de vida | R$ 914,95 |
| Complementação de remuneração | R$ 337,62 |
| Atividade policial | R$ 1.881,60 |
| Etapa alimentação | R$ 571,43 |
| Total | R$ 7.680,00 |
Repare que o vencimento básico era menos de 25% do total. Isso é típico das carreiras policiais e é a razão pela qual comparar “salário-base” entre estados leva a conclusões erradas. O que importa é a remuneração cheia — e ela, hoje, parte dos R$ 16 mil.
O que já sabemos oficialmente sobre o novo concurso
Vamos ao que está documentado, em ordem:
15 de abril de 2026 — O Governo do Acre anuncia oficialmente novo concurso da Polícia Civil, durante a posse do delegado-geral Pedro Paulo Buzolin. São anunciadas inicialmente 139 vagas, para os cargos de delegado, oficial investigador de polícia e perito. O próprio texto oficial usa a palavra “anúncio” e informa que o edital seria publicado posteriormente. Não houve divisão das 139 vagas entre os três cargos.
22 de abril de 2026 — O delegado-geral afirma à imprensa que a governadora Mailza Assis teria assinado a autorização para a realização do concurso, com as 139 vagas. Ele também afirma que as vagas provavelmente seriam destinadas ao interior do estado, pela deficiência de efetivo nas delegacias dos municípios. Foi a partir dessa fala que várias páginas e cursinhos passaram a estampar “PC-AC AUTORIZADA”.
18 e 19 de maio de 2026 — O Governo volta a divulgar que o concurso contemplará delegado, perito e oficial investigador. Seguem sem divulgação: vagas por cargo, banca, cronograma e data de provas.
23 de junho de 2026 — O Executivo envia à Assembleia Legislativa proposta de alteração da Lei Orgânica da Polícia Civil. Este é, na minha leitura, o indício mais forte de todos — e já explico por quê.
06 a 08 de julho de 2026 — O Executivo encaminha ajustes ao projeto. A nova versão tramita como PLC nº 23/2026 e é aprovada pela ALEAC em 08/07/2026.
23 de julho de 2026 — É sancionada a Lei Complementar Estadual nº 526, de 23 de julho de 2026.
29 de julho de 2026 — A LC nº 526/2026 é publicada no Diário Oficial do Estado nº 14.318 e entra em vigor na data da publicação, alterando a LC nº 129/2004 (Lei Orgânica da Polícia Civil do Acre).
Esse último ponto é o que separa o Acre de um anúncio político comum. A justificativa apresentada pelo Executivo ao Legislativo vinculou expressamente a urgência da alteração legislativa à previsão do novo concurso da PCAC e à necessidade de que o próximo edital já fosse elaborado sob as novas regras. Ou seja: não é uma mudança feita aleatoriamente anos antes. Ela aconteceu entre o anúncio do concurso e a preparação das suas regras.
14 de setembro de 2026 — nova atualização sobre a banca
O delegado-geral Pedro Paulo Buzolin informou que o concurso estaria na fase de seleção da banca organizadora e afirmou que a Polícia Civil pretende publicar o edital ainda em 2026.
Também surgiu uma informação importante para quem acompanha especificamente a Perícia: a previsão mais recente é de 11 vagas para Perito Criminal, dentro das 139 vagas anunciadas para o concurso.
Aqui, porém, precisamos manter a mesma cautela que tivemos desde o início deste artigo.
A informação sobre a banca é uma declaração do delegado-geral. Até a data desta atualização, não localizamos um processo público de contratação da organizadora que nos permita acompanhar documentalmente essa etapa.
Da mesma forma, apesar de o delegado-geral ter afirmado ainda em abril que a autorização do concurso havia sido assinada, continuamos sem localizar o ato formal dessa autorização publicado.
Isso não significa que o concurso não esteja avançando.
Significa que, hoje, existe uma diferença entre o estágio informado publicamente pela direção da Polícia Civil e o estágio que conseguimos confirmar por meio dos documentos localizados.
22 de outubro de 2026 — IDECAN é a banca: dispensa de licitação publicada
Foi publicada no Diário Oficial do Acre de 22 de outubro de 2026 a dispensa de licitação para contratação do IDECAN como banca organizadora do próximo concurso da Polícia Civil do Acre.
O documento é datado de 21/10 e traz:
- Banca: IDECAN;
- Processo administrativo: 0064.006859.00025/2026-00;
- Parecer jurídico: PGE nº 056/2026, de 19/10/2026;
- Fundamento: art. 75, XV, da Lei nº 14.133/2021;
- Pagamento da banca: recursos arrecadados com as taxas de inscrição.
Na atualização de setembro, eu escrevi que não tínhamos localizado um processo público de contratação da organizadora. Agora ele existe: a escolha da banca está documentada.
O próximo passo é a formalização do contrato e, depois, a publicação do edital.
“Anunciado” não é a mesma coisa que “autorizado”
Aqui entra o ponto central deste artigo, e é onde eu discordo de boa parte do que está circulando.
💜 Opinião da Leilane Verga
Tenho recebido mensagens de pessoas dizendo que o concurso do Acre “foi autorizado” e até que o edital sairia ainda em 2026. Eu teria bastante cuidado com esse tipo de afirmação.
Uma coisa é o Governo anunciar que pretende realizar um concurso. Outra coisa é conseguirmos localizar o ato formal que efetivamente autoriza esse concurso — um decreto, uma portaria, um despacho, algum documento oficial com número e teor disponíveis — e acompanhar as etapas administrativas seguintes.
Existe, sim, uma fala do delegado-geral dizendo que a autorização foi assinada. O problema é que, até agora, pelo menos nas pesquisas que fizemos, não encontramos essa autorização publicada. Repare na diferença: eu não estou dizendo que a declaração é falsa. Estou dizendo que não localizamos o ato formal que a documente. Por isso, não vou criar uma certeza que hoje não existe.
Eu não vou transformar expectativa em fato só porque um cursinho colocou “AUTORIZADO” na manchete.
E quantas vagas serão para Perito Criminal?
As 139 vagas anunciadas continuam não sendo 139 vagas para Perito Criminal. Esse quantitativo se refere ao conjunto dos cargos previstos para o novo concurso da Polícia Civil.
A previsão divulgada desde setembro é esta:
| Cargo | Vagas previstas |
|---|---|
| Oficial Investigador | 74 |
| Perito Papiloscopista | 35 |
| Perito Criminal | 11 |
| Delegado | 8 |
| Auxiliar de Necropsia | 7 |
| Perito Médico-Legista | 4 |
| Total | 139 |
Repare que essa distribuição não consta no despacho de dispensa de licitação. Então seguimos tratando os números como previsão, sujeitos à confirmação no edital.
E ainda não sabemos quais especialidades estarão contempladas nas 11 vagas de Perito Criminal.
Esse tipo de leitura — separar o que está documentado do que é expectativa — é literalmente o que a gente faz toda semana com os mentorados na Mentoria Excelere, porque decisão de estudo tomada em cima de manchete errada custa meses de preparação na direção errada.
O que sabemos — e o que ainda não conseguimos confirmar
Em 22/10/2026, este é o cenário:
✅ Concurso oficialmente anunciado pelo Governo do Acre;
✅ previsão de 139 vagas no total;
✅ previsão de 11 vagas para Perito Criminal;
✅ legislação da PCAC alterada em 2026 (LC nº 526/2026), expressamente no contexto da preparação do novo concurso;
✅ parecer da PGE favorável à contratação direta da banca (19/10/2026);
✅ IDECAN definida como banca, com dispensa de licitação publicada no DOE de 22/10/2026;
✅ Polícia Civil declarou intenção de publicar o edital ainda em 2026;
🚨 contrato com a banca: ainda não publicado;
🚨 ato formal de autorização: não localizado por nossa equipe até esta atualização;
🚨 distribuição oficial das vagas por cargo: não consta nos documentos publicados;
🚨 divisão das 11 vagas previstas de Perito por área: desconhecida;
🚨 graduações aceitas: desconhecidas;
🚨 cronograma e data das provas: não divulgados;
🚨 edital: não publicado.
O cenário mudou de nível. Em setembro, a gente tinha uma declaração de que a banca estava sendo escolhida. Agora tem o ato que identifica o IDECAN. O Acre continua sem edital, mas já não está só no campo do anúncio.
Edital ainda em 2026? Agora existe uma previsão da própria Polícia Civil
💜 Opinião da Leilane Verga
Quando escrevi a primeira versão deste artigo, em 7 de setembro, minha leitura era de que um edital ainda em 2026 seria improvável.
Naquele momento, estávamos em setembro sem banca definida, sem processo público de contratação da organizadora localizado, sem quantitativo de vagas para Perito e sem o ato formal de autorização disponível.
No dia 14 de setembro apareceu uma informação nova que precisa entrar nessa análise.
O delegado-geral afirmou que o concurso já estaria na fase de seleção da banca e que a intenção da Polícia Civil é publicar o edital ainda em 2026.
Eu não ignoraria uma declaração dessas, principalmente vindo de quem está à frente da instituição.
Mas também não transformaria essa declaração automaticamente em “edital iminente”.
Até o momento desta atualização, continuamos sem localizar o ato formal da autorização que teria sido assinada meses atrás. E também não localizamos o processo público de contratação da banca que estaria em andamento.
Então hoje temos duas coisas acontecendo ao mesmo tempo:
de um lado, a direção da Polícia Civil dizendo que o concurso avançou e que pretende publicar o edital ainda em 2026;
do outro, etapas administrativas importantes que ainda não conseguimos acompanhar documentalmente.
Por isso, minha leitura mudou, mas não virou para o extremo oposto.
Eu não descartaria mais um edital em 2026. Mas também não trataria essa data como confirmada nem criaria uma falsa urgência em cima dela.
O Acre subiu no radar.
Só ainda pode não estar tão adiantado quanto a manchete “banca em definição + edital em 2026” faz parecer.
Atualização de 22/10: a novidade de hoje é um avanço concreto em relação a setembro. Antes tínhamos apenas a declaração de que a banca estava sendo escolhida. Agora temos o ato administrativo que identifica o IDECAN.
Isso torna a previsão de edital ainda em 2026 mais plausível, mas o documento não estabelece prazo para publicação.
Como foi o último concurso de Perito Criminal do Acre: o edital de 2015
Enquanto o novo edital não sai, a melhor referência específica que temos é o Edital nº 001 SGA/SEPC, de 10 de agosto de 2015, para Perito Criminal e Perito Médico-Legista da Polícia Civil do Acre. Banca: FUNCAB.
Vagas e áreas
O edital ofertou 15 vagas para Perito Criminal e 2 para Perito Médico-Legista. E aqui está o dado mais interessante de todos: o quadro de vagas trazia expressamente o código P01 — Qualquer área de Atuação, com vagas em cinco municípios:
- Brasiléia
- Cruzeiro do Sul
- Rio Branco
- Sena Madureira
- Tarauacá
Além dessa área ampla, existiam áreas específicas, quase todas com lotação em Rio Branco:
| Código | Área |
|---|---|
| P02 | Análise de Sistemas, Ciências da Computação, Engenharia da Computação, Informática ou Sistemas de Informação |
| P03 | Contabilidade |
| P04 | Engenharia Civil |
| P05 | Engenharia Elétrica |
| P06 | Engenharia Florestal |
| P07 | Engenharia Mecânica |
| P08 | Engenharia Química, Química ou Química Industrial |
| P09 | Farmácia-Bioquímica |
Ou seja: o Acre é um caso raríssimo porque o último edital realmente permitiu ingresso em Perito Criminal por qualquer formação superior — não apenas uma lista ampla de graduações.
Requisitos em 2015
O edital exigia diploma registrado de conclusão de curso de nível superior conforme a área indicada no Anexo I, emitido por instituição reconhecida pelo MEC, com registro no conselho de classe e CNH categoria mínima AB até a matrícula no curso de formação. Havia ainda limite de idade: mínimo de 18 anos na posse e máximo de 50 anos na data da inscrição.
Como era a prova da área geral
Para quem concorria pelo P01 (qualquer área de formação), a prova objetiva tinha 100 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas cada:
| Disciplina | Questões |
|---|---|
| Língua Portuguesa | 20 |
| Ética e Legislação na Administração Pública | 9 |
| Informática Básica | 9 |
| Química | 4 |
| Física | 4 |
| Biologia | 4 |
| Noções de Criminalística | 10 |
| Noções de Direito Constitucional | 10 |
| Noções de Direito Penal | 10 |
| Noções de Direito Processual Penal | 10 |
| Noções de Direito Administrativo | 10 |
| Total | 100 |
Olha só esse quadro com atenção, porque ele desmonta uma crença muito comum: Direito somava 40 das 100 questões. Criminalística, sozinha, valia 10. Português valia 20. Química, Física e Biologia juntas valiam 12.
Nas áreas específicas o desenho mudava: entravam 25 questões de Conhecimentos na área de formação (35, no caso da área de TI), Atualidades aparecia com 10 questões, e o bloco de Direito encolhia.
A prova discursiva era aplicada no mesmo dia da objetiva, dentro do mesmo período total de 6 horas. Era uma única questão, valia 20 pontos e era baseada em tópicos do conteúdo de Conhecimentos Específicos do cargo. Detalhe decisivo: só era corrigida a discursiva de quem passasse na objetiva dentro de 10 vezes o número de vagas — para os cargos de cadastro de reserva, apenas 10 provas.
Esse recorte é o filtro real. E é exatamente por isso que, quando a gente olha os números da Mentoria Excelere, o dado que a gente acompanha não é “quantos passaram na objetiva”, é quantos entraram na faixa de correção: no IGP-RS 2025, 91% dos nossos mentorados que prestaram a prova tiveram a discursiva corrigida, contra 53% de aprovação geral.
Etapas do concurso de 2015
Primeira fase: prova objetiva, prova discursiva e prova de títulos.
Segunda fase: prova de aptidão física, exame médico, exame psicotécnico, entrevista pessoal e investigação criminal e social.
Terceira fase: curso de formação policial — 760 horas-aula, com eliminação para quem tivesse frequência inferior a 75% ou aproveitamento inferior a 50% na prova final. Durante o curso, o candidato recebia bolsa equivalente a 50% dos vencimentos do cargo.
O TAF de 2015, só como referência histórica, tinha três exercícios: apoio de frente sobre o solo, abdominais em 1 minuto e corrida de 15 minutos com distância mínima definida.
⚠️ Atenção: não assuma que essa estrutura será repetida integralmente. A legislação de 2026 mudou as regras do concurso — e o curso de formação, em especial, mudou de lógica.
📄 Quer ler o edital de 2015 na íntegra?
A gente disponibilizou o edital completo de Perito Criminal do Acre para download, junto com outros editais de Perícia. É a melhor referência específica que existe hoje para quem quer entender o perfil histórico dessa prova.
O que a nova lei já nos diz sobre o próximo concurso
A LC nº 526/2026 passou a estabelecer que os concursos da PCAC devem conter obrigatoriamente:
- Provas objetivas
- Provas subjetivas
- Prova de títulos
- Teste de aptidão física
- Exame médico e toxicológico
- Exame psicotécnico
- Investigação criminal e social
Para delegado, há ainda prova oral.
E tem uma mudança estrutural relevante: o novo modelo altera a lógica do curso de formação. O aprovado dentro das vagas é nomeado e empossado e inicia o curso específico de formação já na condição de servidor.
Portanto, o edital de 2015 continua excelente como base de conteúdo — mas não deve ser tratado como espelho exato do próximo.
A mudança no requisito de formação
Essa é, para mim, a parte mais interessante de toda a história.
Como era. A Lei Estadual nº 3.107, de 29 de dezembro de 2015 (publicada no DOE nº 11.713, em 31/12/2015), estruturou a carreira de Perito Criminal e Perito Médico-Legista. O art. 2º, §1º estabeleceu que o Perito Criminal deveria possuir graduação superior nas áreas de formação definidas no edital do concurso. Essa redação transmitia uma ideia mais restritiva: o edital necessariamente trabalharia com áreas de formação definidas.
Um cuidado de precisão aqui, porque vejo muita gente errando: essa lei é posterior ao edital de agosto de 2015 e previu vigência a partir de 01/01/2017. Então não foi ela que permitiu a área geral do edital de 2015. Ela importa como regra da carreira que passou a existir depois.
Como ficou. A LC nº 526/2026 alterou a LC nº 129/2004. O novo art. 67, §4º determina, em síntese, que para Perito Oficial Criminal é necessário diploma de graduação reconhecido pelo MEC, “podendo ser exigida habilitação específica por área de conhecimento” no edital.
A mudança linguística é pequena. A consequência jurídica, não:
| Antes | Agora |
|---|---|
| Graduação nas áreas de formação definidas pelo edital | Graduação de nível superior, podendo o edital exigir habilitação específica por área |
A nova redação praticamente acompanha a lógica da Lei Federal nº 14.735, de 23 de novembro de 2023 — a Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis. O art. 20, §2º da lei federal diz que o Perito Oficial Criminal deve possuir graduação e que os editais podem prever seleção por área de conhecimento e exigir habilitação legal específica.
💜 Opinião da Leilane Verga
Vamos separar fato de interpretação, porque essa distinção é o que falta na maioria dos conteúdos sobre esse assunto.
FATO: a nova lei não garante que haverá vaga de Perito Criminal para qualquer graduação. FATO: ela também não obriga que todas as vagas sejam divididas por formação específica.
MINHA INTERPRETAÇÃO: a mudança pode ter sido feita justamente para deixar a Administração mais resguardada e com maior flexibilidade para montar o próximo edital. A redação anterior passava a ideia de que necessariamente seria preciso definir áreas de formação. A nova deixa isso como possibilidade.
Por isso, considero que a mudança legislativa aumenta os indícios de que o próximo concurso pode voltar a ter alguma modalidade de área geral. Não significa que terá. Mas existe margem jurídica para isso — e o fato de a legislação ter sido alterada justamente durante a preparação do novo concurso torna essa mudança ainda mais interessante.
Resumindo: a legislação mudou e deixou uma porta aberta para a área geral. Porta aberta não significa que o edital vai passar por ela.
Por que uma “área geral” seria tão importante
💜 Opinião da Leilane Verga
Esse talvez seja, para mim, o maior atrativo do concurso do Acre — e olha que estamos falando de uma carreira que paga R$ 16 mil de entrada e chega a R$ 27 mil.
As vagas realmente amplas de Perito Criminal, que aceitam qualquer graduação, vêm desaparecendo dos editais. Isso afeta principalmente candidatos de formações que acabam ficando de fora das listas tradicionais de áreas da Perícia — Enfermagem, Direito e diversas outras graduações.
No último edital do Acre existia literalmente “Qualquer área de Atuação”. Então, para essas pessoas, a pergunta “o Acre vai manter uma área geral?” é muito relevante.
Minha resposta hoje: pode manter. A nova legislação deixa margem para isso. Mas não sabemos se vai acontecer, e ninguém deveria prometer isso antes do edital.
Acre e Bahia estão entre os raríssimos casos de ingresso amplo por graduação para Perito Criminal em editais recentes. O maior atrativo do Acre pode nem ser a quantidade de vagas — pode ser quem poderá concorrer a essas vagas.
O contraexemplo do Maranhão
O Maranhão mostra a tendência nacional oposta, e vale a comparação — desde que feita com precisão.
No concurso de 2017, o Maranhão tinha um cargo unificado de Perito Criminal, que aceitava diversas graduações previstas no edital. Cuidado: isso não significa “qualquer graduação”. Havia uma lista de formações aceitas.
Em 2026, a Lei Estadual nº 12.914, de 9 de junho de 2026, passou a estabelecer a realização do concurso da Perícia Oficial por área de formação profissional ou especialização, conforme a necessidade da Administração, deixando ao edital a definição do quantitativo por área.
O resultado apareceu rápido: o edital de 17/07/2026 dividiu Perito Criminal em inúmeras especialidades — computação, arquitetura, serviço social, biologia, contabilidade/economia/matemática, engenharias, farmácia/biomedicina, física, fonoaudiologia, geologia/geografia, veterinária, psicologia, química e outras.
Existe no edital maranhense de 2026 um cargo de Agente de Perícia Criminal — Generalista, que aceita qualquer graduação. Mas esse cargo não é Perito Criminal. Não confunda os dois.
A leitura comparativa é essa: um estado alterou a legislação e caminhou para a especialização máxima; o Acre alterou a legislação e preservou expressamente a possibilidade de o edital não exigir habilitação específica. Isso não prova que haverá área geral no Acre. É apenas uma comparação que vale a pena ter na cabeça.
Lotação no interior: isso merece destaque
Em 22/04/2026, o delegado-geral afirmou que as 139 vagas provavelmente seriam destinadas ao interior do estado, justamente pela deficiência de efetivo nas delegacias dos municípios.
E há um dado mais forte que uma declaração: a LC nº 526/2026 passou a prever que a lotação inicial dos novos servidores deverá ocorrer preferencialmente nos municípios do interior, considerando vagas regionalizadas e a conveniência da Administração. A nova legislação ainda estabelece, como regra, permanência mínima de cinco anos no município da lotação inicial, com as exceções previstas na própria lei.
💜 Opinião da Leilane Verga
Isso não é nenhuma grande surpresa na carreira de Perito. Em muitos concursos, boa parte das oportunidades está no interior, e as vagas da capital tendem a ser as mais disputadas.
Então quem coloca o Acre no projeto não deveria imaginar automaticamente “vou passar e morar em Rio Branco”. Inclusive o último edital já distribuía as vagas de Perito entre Brasiléia, Cruzeiro do Sul, Rio Branco, Sena Madureira e Tarauacá.
Se o seu objetivo é Acre, esteja preparado para interior. A própria legislação nova aponta nessa direção.
TAF: não se começa depois do edital
💜 Opinião da Leilane Verga
Independentemente de você decidir focar no Acre agora ou não: quem quer ser Perito Criminal já deveria estar se preparando fisicamente.
TAF aparece em praticamente todos os grandes concursos de Perito, e a nova legislação do Acre já prevê expressamente prova de aptidão física entre as etapas obrigatórias.
Então não faz sentido esperar edital para começar a treinar. Condicionamento físico não se constrói em algumas semanas. TAF não se começa depois do edital.
Devo começar a estudar especificamente para o Acre agora?
💜 Opinião da Leilane Verga
Na primeira versão deste artigo, eu disse que aumentaria a atenção ao Acre quando existisse um processo concreto de escolha da banca.
Em setembro, o delegado-geral afirmou que essa seleção estava acontecendo. Em 22 de outubro, ela apareceu documentada: a dispensa de licitação para contratação do IDECAN foi publicada.
Isso muda alguma coisa? Muda. O Acre sobe no radar.
Mas as duas informações mais importantes para quem estuda para Perito Criminal ainda faltam: a divisão das 11 vagas por especialidade e as graduações aceitas. São elas que vão determinar quem efetivamente poderá concorrer.
Por isso, eu aumentaria o peso do Acre no planejamento, mas ainda não desmontaria a preparação inteira para estudar exclusivamente para a PC-AC.
Você ainda não sabe quais graduações serão aceitas.
Não sabe como as 11 vagas previstas serão distribuídas.
Já sabe que a banca é o IDECAN, mas não sabe como ela vai montar essa prova.
E não sabe quando será a prova.
Se você já estuda para Perito Criminal, continue construindo uma base que possa ser aproveitada no Acre e nos outros concursos da carreira.
Quando sair a definição das áreas, a lista de graduações ou o edital, aí teremos informação melhor para aumentar a especificidade da preparação.
O Acre merece mais atenção agora. Ainda não merece que você jogue o planejamento inteiro fora por causa de uma manchete.
Como usar o edital de 2015 hoje
💜 Opinião da Leilane Verga
Por enquanto, o edital de 2015 é a melhor referência específica que temos para Perito Criminal do Acre. Ele serve para entender o perfil histórico da prova, identificar conteúdos, conhecer a estrutura, verificar as áreas que existiam e ter uma base inicial de estudos.
Mas eu não trataria esse edital como previsão exata do próximo. Passaram-se mais de dez anos, houve mudança na Lei Orgânica Nacional, mudança na legislação estadual e mudanças relevantes na própria estrutura dos concursos policiais.
Então: use o edital anterior como referência, mas vá prestar as provas que estão acontecendo. Elas mostram muito melhor como as seleções de Perito estão sendo cobradas hoje.
Como se preparar para o concurso de Perito Criminal do Acre
Juntando tudo o que já sabemos, a preparação inteligente para o Acre hoje tem três camadas.
A base que serve para qualquer concurso de Perito. Português, Direito Constitucional, Penal, Processual Penal e Administrativo, Criminalística. No edital de 2015, esse bloco sozinho respondia por 70 das 100 questões da área geral. Essa base não expira e não depende de qual estado abrir edital primeiro.
A camada de específicas da sua formação. Se o próximo edital dividir por áreas — possibilidade que a nova lei preserva —, é aí que a disputa se resolve. E se ele mantiver uma área geral, você não perde nada por ter estudado a fundo o que já é seu.
A preparação física e documental. TAF, CNH e registro no conselho de classe entraram em cena em 2015 e continuam sendo exigências típicas dessas carreiras. Nenhuma delas se resolve no mês do edital.
O que costuma travar o candidato não é falta de material — é não saber o que priorizar quando o edital ainda não existe. É exatamente esse problema que o Método das Matérias-Chave resolve: priorizar por custo por ponto, e não pelo peso bruto do edital.
Quer uma preparação estratégica para o concurso de Perito Criminal do Acre? A Mentoria Excelere tem Guia de Estudos específico para provas de Perito, com o conteúdo mapeado por quem já foi perita e já levou mais de 600 pessoas à aprovação. Conheça a Mentoria Excelere →
Perguntas frequentes sobre o concurso de Perito Criminal do Acre
Qual o salário do Perito Criminal do Acre?
A remuneração inicial é de aproximadamente R$ 16 mil, chegando a cerca de R$ 27 mil no final de carreira. Esse valor é a remuneração cheia, composta por várias verbas — vencimento básico, produtividade, representação, risco de vida, atividade policial e outras —, e não apenas pelo vencimento básico.
Qual a diferença entre salário bruto e líquido nessa carreira?
O valor divulgado é o bruto. O líquido depende dos descontos legais de cada servidor: contribuição previdenciária, imposto de renda e eventuais consignações. Como esses descontos variam conforme regime e situação individual, não existe um número líquido único que valha para todo mundo — desconfie de quem promete um.
Tecnólogos e licenciados podem prestar o concurso de Perito Criminal do Acre?
Só o edital responde isso. O edital de 2015 exigia diploma de curso superior conforme a área indicada no Anexo I, reconhecido pelo MEC, com registro no conselho de classe — e trazia o código P01, “Qualquer área de Atuação”. A LC nº 526/2026 passou a exigir diploma de graduação reconhecido pelo MEC, podendo o edital exigir habilitação específica por área. Ou seja: hoje existe margem jurídica para formações amplas, mas a exigência de registro em conselho de classe, se repetida, é o ponto que na prática costuma filtrar algumas formações.
As vagas virão divididas por especialidade ou haverá um “Perito geral”?
Não sabemos — não foi divulgado. Em 2015 existiram as duas coisas ao mesmo tempo: uma área ampla (P01, qualquer área de formação) e oito áreas específicas, de TI a Farmácia-Bioquímica. A nova lei não garante nem proíbe a área geral: ela deixa a exigência de habilitação específica como uma possibilidade do edital.
Biomédicos podem ser Peritos Criminais no Acre? O conteúdo é focado em Farmácia?
No edital de 2015, Biomedicina não era uma área específica — a área específica dessa família era “Farmácia-Bioquímica” (P09). Mas quem vinha da Biomedicina tinha o P01 aberto. E aqui está o ponto que costuma tranquilizar: a prova da área geral não tinha nenhuma questão de conhecimentos na área de formação. Eram 4 de Química, 4 de Física e 4 de Biologia dentro dos Conhecimentos Básicos — e a Biologia cobrada tinha recorte forense: hematologia, tipagem sanguínea em manchas, identificação de sêmen, entomologia forense, biologia molecular.
Criminalística e Medicina Legal terão o maior peso na prova?
No edital de 2015, não. Na área geral, Criminalística valia 10 das 100 questões e Medicina Legal nem aparecia como disciplina autônoma — os temas de tanatologia forense estavam dentro do programa de Noções de Criminalística. O maior peso era de Direito, com 40 questões somando Constitucional, Penal, Processual Penal e Administrativo, seguido de Português com 20.
Como era a prova discursiva e como se prepara para ela?
Em 2015 era uma única questão, valendo 20 pontos, aplicada no mesmo dia da objetiva dentro das mesmas 6 horas, baseada em tópicos dos Conhecimentos Específicos do cargo. Só era corrigida a discursiva de quem passasse na objetiva dentro de 10 vezes o número de vagas. A nova lei mantém provas subjetivas como etapa obrigatória, então treinar escrita técnica desde já continua valendo.
Devo usar o edital da PF como base para estudar para o Acre?
A melhor referência específica que existe hoje para o Acre é o próprio edital de 2015 do estado — ele mostra o perfil histórico da prova e as áreas que existiam. O que ele não mostra é como as seleções de Perito estão sendo cobradas em 2026, depois da Lei Orgânica Nacional. Por isso a combinação mais segura é: edital de 2015 como referência de conteúdo, editais recentes de Perito como referência de formato.
Qual a diferença entre “Agente de Perícia” e “Perito Criminal”?
São cargos distintos, e o nome varia de estado para estado — por isso a confusão. No edital do Maranhão de 2026, por exemplo, existe um “Agente de Perícia Criminal — Generalista”, que aceita qualquer graduação, mas não é o cargo de Perito Criminal. No Acre, os cargos anunciados para o novo concurso são delegado, oficial investigador de polícia e perito; o edital de 2015 trouxe Perito Criminal e Perito Médico-Legista, ambos de nível superior.
A rotina do Perito Criminal é interna (laboratório) ou externa (local de crime)?
As duas. Pelas atribuições descritas no edital de 2015, o Perito Criminal do Acre atua em local de crime, acidentes de trânsito com vítima e incêndios, e também em laboratório — perícias grafotécnicas, exames de DNA em identificação humana, balística, exame químico-metalográfico em veículos, perícia contábil e ambiental. O edital previa comparecimento a locais de crime “a qualquer hora do dia e da noite”, com jornada de 44 horas semanais e sujeição a convocações extraordinárias.
Qual é a banca do concurso da Polícia Civil do Acre?
O IDECAN. A dispensa de licitação para a contratação direta foi publicada no Diário Oficial do Acre em 22/10/2026 (processo nº 0064.006859.00025/2026-00, com parecer PGE nº 056/2026). A banca será paga com o valor arrecadado nas taxas de inscrição.
Quando sai o edital do concurso de Perito Criminal do Acre?
Ainda não há uma data oficial.
Em 22 de outubro de 2026, foi publicada a dispensa de licitação para contratação do IDECAN como banca. O próximo passo é a formalização do contrato e, depois, a publicação do edital.
A direção da Polícia Civil segue com a previsão de edital até dezembro de 2026, mas nenhum documento publicado estabelece esse prazo.
O concurso do Acre merece o seu radar — não a sua ansiedade
Depois da atualização de outubro, o Acre ganhou mais peso no radar de quem estuda para Perito Criminal.
Agora temos a banca definida, com dispensa de licitação publicada, uma previsão de 11 vagas para Perito e a expectativa declarada de edital ainda em 2026.
É um avanço real. Mas ainda faltam o contrato, a divisão das vagas por especialidade, as graduações aceitas e o edital.
E é justamente nessa diferença que muita gente toma uma decisão ruim de preparação: lê “AUTORIZADO”, depois “BANCA DEFINIDA”, sente que o edital vai sair amanhã e muda todo o planejamento de uma vez.
A virada acontece quando você para de perseguir edital e passa a construir a base que serve para qualquer um deles — para que, no dia em que o Acre publicar (com ou sem área geral, na capital ou no interior), você já esteja competitivo em vez de estar começando. É exatamente para isso que a Mentoria Excelere existe: nossos mentorados aprovados estudaram, em média, cerca de 20 horas por semana e chegaram na prova com 40% a 70% do edital visto. Nenhum deles fechou o edital. O que eles tinham era direção.
Uma carreira que começa em R$ 16 mil e chega a R$ 27 mil, com a possibilidade real de aceitar qualquer graduação, vale a sua atenção. Só não vale a sua pressa.
👉 Veja como a Mentoria Excelere transforma esforço em aprovação
Leilane Verga — biomédica, aprovada para Perito Criminal em 1º lugar no RS, 1º lugar em SC e 2º lugar no PR, fundadora do Mapa Concursos.


