Rotina do Perito Criminal: como funciona plantão, escala e folgas

Tem uma pergunta que aparece toda semana pra quem sonha com a perícia: como é a rotina do perito criminal na vida real? Tem muito plantão? Como funcionam as folgas? Sobra tempo pra viver ou o perito criminal só trabalha?

A resposta mais sincera é um “depende” – e a maioria dos vídeos e sites nunca te explica do que depende. É exatamente isso que você vai entender aqui, sem a versão romantizada das séries de TV.

Quem escreve isso é gente que viveu a rotina na pele: a Leilane Verga, coordenadora do Mapa Concursos, trabalhou seis anos e meio como perita criminal no IGP do Rio Grande do Sul, passando por três setores diferentes, cada um com um expediente diferente.

Então o que vem a seguir não é achismo de internet – é o compilado de quem esteve dentro e de quem já ajudou centenas de concurseiros a chegarem lá.

Não existe uma escala única (e geralmente não é você que escolhe)

O ponto central que você precisa entender antes de qualquer coisa é este: não existe uma única escala no trabalho de perito criminal. E, na maioria dos casos, quando existem opções de escala, não é você quem escolhe. Você vai trabalhar conforme as regras da instituição onde for atuar — as regras do órgão, do setor, da sua cidade e até da chefia daquele momento.

O único ponto quase sempre igual em toda instituição de perícia é a carga horária total: o perito criminal costuma trabalhar de 40 a 44 horas semanais. Isso está listado no edital de cada concurso. A maioria são 40 horas, mas já existiram editais e legislações que fixam 44 horas. Como exceção, em alguns lugares o médico legista tem carga de 20 horas semanais.

Por isso, muito cuidado com generalizações do tipo “perito trabalha 24 por 72” ou “perito do setor X é sempre expediente”. Não é assim — e você vai entender o porquê ao conhecer os três regimes possíveis.

Os 3 regimes de trabalho do perito criminal

1. Plantão

O mais conhecido. No plantão, você fica na base esperando ser acionado e, se for um plantão de mais de 24 horas, dorme no alojamento da instituição aguardando qualquer ocorrência.

Essa escala existe para perícias que exigem atendimento imediato, que não podem ser adiadas nem agendadas. Pensa num acidente de trânsito que interditou uma via: o local precisa ser periciado e liberado para o trânsito voltar a fluir — não dá pra esperar até o dia seguinte. O mesmo vale para locais de crime com vestígios sujeitos à deterioração e para locais de morte, em que a vítima precisa ser recolhida e necropsiada e o local, liberado. São perícias de pronto atendimento, então sempre precisa ter alguém de prontidão.

2. Sobreaviso

O sobreaviso também é um plantão, só que em vez de ficar na base, você fica em casa. Ele acontece quando o deslocamento não precisa ser tão imediato, quando a instituição não tem alojamento pros peritos, ou quando simplesmente não há peritos suficientes para manter o regime de plantão.

Funciona quase igual: você tem um período (por exemplo, 24 horas) em que precisa estar pronto para atender. Você pode fazer suas atividades — ir à academia, passear com o cachorro —, mas tem que sair no momento em que for acionado. Aqui vale uma honestidade que quase ninguém conta: a própria Leilane trabalhou nesse regime e sentia muita ansiedade. Mesmo sabendo que bastava ficar de olho no celular, ela passava o dia inteiro em alerta. É um detalhe da rotina que a versão CSI da carreira nunca mostra.

E tem um ponto técnico que quase ninguém sabe: o sobreaviso pode não contar como hora cheia de trabalho. Em Santa Catarina, por exemplo, a legislação da carreira estabelece que 4 horas de sobreaviso sem ocorrência contam como 1 hora trabalhada. Ou seja, 24 horas de sobreaviso parado equivalem a apenas 6 horas da carga horária semanal. Estar disponível nem sempre é o mesmo que estar efetivamente trabalhando.

3. Expediente

O famoso horário fixo, normalmente em dias úteis, dentro do horário de funcionamento que a instituição define. É mais comum para perícias que não exigem atendimento imediato ou que precisam ser feitas à luz do dia: laboratório, informática, perícias em veículos e várias outras.

Entender esses três regimes desde cedo é parte do que a gente chama de direcionamento de carreira — e é o mesmo raciocínio que guia a preparação. Na Mentoria Excelere, a gente ajuda o concurseiro a escolher o concurso certo entendendo desde o começo onde ele está pisando — inclusive o tipo de rotina que aquele cargo vai ter.

“Então é só escolher o laboratório e pegar expediente?” Não é bem assim

Esse é o erro clássico de quem está começando. Olha só: no IGP do Rio Grande do Sul, a perícia de laboratório funciona em expediente — mas, dependendo da função, ainda pode ter uma parte em sobreaviso. Agora pega o mesmo laboratório em São Paulo: em algumas cidades, ele funciona em regime de plantão, porque lá a perícia acompanha as apreensões de drogas, enquanto no RS a Polícia Civil e a Militar fazem a apreensão e encaminham a amostra.

Mesma área, laboratório, dois regimes completamente diferentes — porque mudou o estado, a cidade e a forma como a instituição se organiza. O mesmo acontece conforme o número de peritos disponíveis numa região: às vezes é preciso rearranjar as escalas para sempre ter alguém de prontidão. Escala de perito é algo muito particular, e você não vai poder simplesmente escolher “quero plantão” ou “quero expediente”.

Escalas híbridas: sua rotina pode ser uma mistura das três

Justamente por precisar cobrir vários tipos de perícia e eventuais faltas de pessoal, é muito comum existirem escalas híbridas. No RS, algumas funções do laboratório trabalham parte em expediente e parte em sobreaviso. Em Santa Catarina, é comum peritos do interior cumprirem parte da carga em expediente e parte em plantão. Na prática, sua rotina pode ser uma combinação de plantão, sobreaviso e expediente ao mesmo tempo. Não existe padrão único — nem dentro de um mesmo regime: há plantões de 24 por 72, plantões em dias fixos da semana, e por aí vai.

Perguntas frequentes sobre a rotina do perito criminal

Quantas horas por semana o perito criminal trabalha? A carga horária costuma ser de 40 a 44 horas semanais, conforme o edital e a legislação de cada concurso. A maioria é de 40 horas. Em alguns lugares, o médico legista tem carga reduzida de 20 horas semanais. A forma como essas horas são divididas depende do regime de escala da instituição.

O perito ganha hora extra no plantão? Em regra, não. Se entrar uma ocorrência no finzinho do plantão, ela é sua e você leva o tempo necessário para atender — mas você também não sofre desconto pelas horas paradas de um plantão tranquilo. Um dos maiores medos do plantonista é justamente a ocorrência que entra no fim do turno.

Perito pode fazer hora extra? Depende da instituição: algumas têm previsão de hora extra, outras só banco de horas. De todo jeito, é preciso liberação orçamentária (verba) e autorização da chefia. No serviço público você não decide sozinho trabalhar mais e esperar o pagamento cair — precisa estar autorizado.

Perito pode dormir no plantão? Pode, e é até recomendado. Você não sabe quando será acionado nem quanto tempo ficará acordado se surgir uma perícia, então descansar faz parte. Só é preciso acordar quando entrar a ocorrência. Existem plantões tranquilos e plantões em que você não respira — aí vai da sorte de cada dia.

Perito trabalha em feriado, domingo e aniversário? Sim. As perícias de atendimento imediato não param, afinal o crime não tira férias. Setores que não exigem urgência podem ter o expediente reduzido nessas datas, mas via de regra nenhum setor para completamente.

Perito tem folga e férias? Tem. São 30 dias de férias por ano, como qualquer servidor público, e quem é plantonista ainda pode ter folgas entre um plantão e outro. O que muda é que você precisa aprender a se organizar para aproveitar bem esses períodos. Trabalho puxado não significa trabalho sem pausa.

A parte que ninguém mostra: laudo, burocracia e sobrecarga

Muita gente romantiza o plantão nas redes sociais, como se o perito passasse o turno atendendo ocorrência na adrenalina estilo CSI e depois viajasse o mês inteiro. A realidade é outra: boa parte do seu tempo de trabalho é fazendo laudo, preenchendo envelope de cadeia de custódia, em tarefas administrativas na frente do computador. E, dependendo do seu ritmo de produção, pode sobrar laudo para os dias de folga.

Trabalhar em regime de plantão e com perícias externas sobrecarrega, sim — tanto que nem se recomenda passar muitos anos seguidos em plantão ou lidando com mortes violentas. É comum o perito pedir remoção para outro setor com o tempo, para respirar. Não é natural para o corpo ficar tanto tempo sem dormir nos horários certos.

Isso não é para te assustar — é para você entrar na carreira sabendo exatamente onde está pisando, sem romantização e também sem exagero no medo. E boa notícia: você não precisa estudar 8 ou 12 horas por dia para chegar lá.

Os aprovados da Mentoria Excelere estudaram, em média, cerca de 20 horas por semana — muitos conciliando trabalho exaustivo, como a Júlia, mãe e servidora pública, que saiu de 70% para 85% de acertos estudando só 16 horas semanais. O que muda é o como, não o quanto.

Como se preparar para o concurso de Perito Criminal

Entender a rotina é só o primeiro passo. Depois vem a parte que realmente decide a vaga: uma preparação estratégica, que respeite o seu tempo e foque no que cai de verdade para a sua área. Não adianta estudar o edital inteiro no escuro — adianta saber o que priorizar, como memorizar a longo prazo e como manter constância mesmo com uma rotina cheia.

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Você não precisa trilhar esse caminho sozinha

Se você chegou até aqui, provavelmente está naquele ponto em que a vontade de ser perito criminal é grande, mas ainda falta chão: você está descobrindo como a carreira funciona de verdade e, lá no fundo, a pergunta que não cala é “por onde eu começo?”. É normal. A maior parte de quem sonha com a perícia trava exatamente aí — não por falta de capacidade, mas por estar olhando pra um universo inteiro (concursos diferentes, editais gigantes, escalas que mudam de estado pra estado) sem ninguém pra dizer o que importa primeiro.

Imagina o contrário: escolher o concurso certo já entendendo a rotina que ele tem, abrir o computador sabendo exatamente o que estudar naquele dia e ter ao seu lado alguém que já passou por essa prova e já viveu essa carreira. Sem adivinhação, sem recomeçar do zero a cada mês. É isso que muda quando você para de tentar sozinha.

Foi para esse começo com direção que a Mentoria Excelere foi construída: método de quem foi perita aprovada em 1º lugar no IGP-RS e já levou +600 pessoas à aprovação — muitas que, como você hoje, um dia não sabiam nem por onde pegar.

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Leilane Verga

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13/12

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