Teste Físico (TAF) para Perito Criminal: o que cai, índices e como treinar

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Se você está se preparando para um concurso de Perito Criminal, provavelmente já ouviu falar do TAF, o Teste de Aptidão Física.

E se a sua rotina é mais perto do laboratório do que da academia, esse pode ser o ponto mais negligenciado da sua preparação.

A maioria dos candidatos à perícia vem de áreas técnicas e científicas, como Farmácia, Engenharia, Biomedicina e TI, e chega na teoria bem treinada, mas pouco preparada fisicamente.

Neste artigo você entende por que o TAF existe, o que costuma ser cobrado, os índices de editais recentes e como treinar com foco no que a prova realmente exige.

Por que Perito Criminal precisa fazer teste físico?

É comum encontrar candidatos questionando a exigência do TAF para a perícia, já que o trabalho tem forte caráter técnico-científico.

Mas a jurisprudência sobre o tema é consolidada: o Perito Criminal é, antes de tudo, um policial.

No caso da Polícia Federal, a base legal está no Decreto-Lei nº 2.320/1987, que prevê expressamente uma fase de exames de aptidão física no concurso, e na Lei nº 4.878/1965 (Estatuto dos Policiais Civis da União e do DF), que enquadra o cargo no regime jurídico policial.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) já analisaram diversos casos de candidatos de áreas como TI, Química e Contabilidade que tentaram afastar a exigência alegando que o trabalho seria “de escritório” ou “de laboratório”.

O entendimento consolidado é o princípio da indivisibilidade das funções policiais: antes de ser químico, engenheiro ou farmacêutico, o aprovado é um Policial Federal, com porte de arma obrigatório, participação em cumprimento de mandados de busca e apreensão e passagem pelo Curso de Formação Profissional na Academia Nacional de Polícia (ANP), que exige esforço físico real.

Na maioria dos concursos estaduais e federais, o TAF tem caráter eliminatório: o candidato é considerado apto ou inapto. Em alguns casos, como o da Polícia Federal, ele também tem peso classificatório, somando pontos à nota final.

Os exercícios mais comuns no TAF de Perito

Cada edital tem suas particularidades, mas a estrutura costuma girar em torno destes testes:

Corrida de 12 minutos (Teste de Cooper)
O candidato percorre a maior distância possível em 12 minutos. As médias de referência costumam ficar entre 1.600m e 2.400m, variando por sexo e edital.

Barra fixa
Avalia a força dos membros superiores. No masculino, geralmente é dinâmico: o queixo precisa passar a barra e o braço esticar completamente, com mínimo entre 2 e 4 repetições nos editais recentes. No feminino, costuma ser isométrico: a candidata se sustenta suspensa, com o queixo acima da barra, pelo maior tempo possível, com mínimo entre 15 e 20 segundos.

Impulsão horizontal (salto em distância)
O candidato salta para a frente a partir da posição estática, sem corrida de aproximação, buscando atingir a distância mínima do edital, geralmente entre 1,30m e 1,70m.

Flexão de braços e abdominal
Presente em editais como o da Polícia Científica de Goiás, costuma ser avaliado em testes de 1 minuto, tanto para flexão de braços no solo quanto para flexão abdominal.

Natação
Exigida na Polícia Federal e em algumas Polícias Científicas estaduais, geralmente consiste em nadar 50 metros em estilo livre dentro de um tempo limite, em torno de 56 segundos a 1 minuto e 4 segundos.

O que mostram os editais recentes

Órgão / EditalCaráterPrincipais testes e índices
Polícia Científica do Paraná (2024)EliminatórioMasculino: 4 repetições na barra, salto de 1,60m, corrida de 2.000m em 12min. Feminino: 20s de isometria na barra, salto de 1,30m, corrida de 1.700m em 12min
SPTC GoiásEliminatórioPerito: corrida de 12min e flexão de braços no solo (1min). Auxiliar de Autópsia: corrida de 12min, flexão abdominal (1min) e flexão de braços (1min)
Polícia Federal (2018)Eliminatório e classificatórioBarra fixa, salto, natação (50m) e corrida de 12min. Índices mínimos de referência: 2.350m (homens) e 2.020m (mulheres) na corrida
Rio Grande do SulSem TAFEdital de 2025 não exigiu teste físico para o cargo de Perito

Vale reforçar: essa tem sido uma etapa cada vez mais frequente em concursos de Perito Criminal.

Hoje, pode-se considerar como obrigatório o treinamento pro TAF, assim que você inicia os estudos para o concurso de Perito.

Como funciona a etapa do TAF na prática

Geralmente são convocados para o TAF os candidatos aprovados na prova discursiva.

É exigida a apresentação de um laudo médico, normalmente emitido por cardiologista nos últimos 30 dias, atestando aptidão para esforços físicos.

Durante a execução, o candidato pode ser considerado apto ou inapto (quando o teste é eliminatório) ou receber uma nota (quando é classificatório).

É comum que as bancas filmem os exercícios para fins de registro e auditoria, o que torna a execução correta do gesto técnico ainda mais importante.

Candidatas gestantes podem ter direito a realizar a prova física em data posterior, geralmente em até 180 dias após o parto, conforme previsão do próprio edital.

Como treinar para o TAF sem se machucar

Comece antes do resultado saber. O erro mais comum de quem está na perícia é só começar a treinar depois que o nome sai na prova discursiva. O intervalo até o TAF costuma ser de poucas semanas, tempo insuficiente para quem está saindo do zero. O ideal é treinar com pelo menos três meses de antecedência.

Treine o gesto técnico do seu edital. Se a banca exige pegada pronada na barra, treine com pegada pronada. Os avaliadores costumam ser rígidos, e um movimento fora do padrão pode invalidar a repetição.

Use a corrida progressiva nos 12 minutos. Uma estratégia é dividir a prova em “blocos” de 400 metros (uma volta de pista), buscando completar cada bloco em cerca de 2 minutos. Comece em ritmo mais leve para aquecer corpo e mente, e acelere gradualmente nas voltas finais.

Cuide da execução do abdominal remador. Erros comuns incluem não tocar as mãos no chão atrás da cabeça, não alinhar os cotovelos com os joelhos e afastar os pés do chão na extensão. Manter os joelhos alinhados com os ombros ajuda na execução correta.

Combine periodização e fortalecimento muscular. Quem passa muitas horas sentado estudando tende a desenvolver encurtamentos musculares. Intercalar esforço e descanso (periodização) e aliar o treino específico do TAF com musculação ajuda a evitar lesões como canelite e dores nos ombros. Antes de iniciar, faça exames médicos e, se possível, conte com acompanhamento de um profissional de educação física.

Perguntas frequentes

O TAF é obrigatório para todo concurso de Perito Criminal?
Não. A exigência varia por edital. Concursos como os da Polícia Federal e da Polícia Científica do Paraná exigem TAF, enquanto editais recentes do Rio Grande do Sul não cobraram teste físico para o cargo de Perito. Mas a maioria dos concursos de Perito já conta com essa etapa.

O TAF é eliminatório ou classificatório?
Na maioria dos editais, é apenas eliminatório: o candidato é considerado apto ou inapto. Na Polícia Federal, além do caráter eliminatório, o desempenho também gera pontuação que entra na nota final.

É possível conseguir liminar para não fazer o TAF de Perito?
A jurisprudência do STJ e do TRF-1 considera legítima a exigência do TAF para Perito Criminal Federal, com base no princípio da indivisibilidade das funções policiais e na previsão do Decreto-Lei nº 2.320/1987, o que torna ações nesse sentido pouco prováveis de sucesso.

Quando começar a treinar para o TAF?
O ideal é começar com antecedência, ainda durante a preparação para a prova teórica. Esperar o resultado da discursiva costuma deixar poucas semanas até a convocação do TAF, tempo curto para quem parte do sedentarismo.

Gestante pode adiar o TAF?
Sim. Candidatas grávidas geralmente têm direito a realizar a prova física em data posterior, prevista no edital, podendo chegar a até 180 dias após o parto.


Sua preparação para Perito Criminal vai além da teoria

A Leilane Verga foi aprovada em 1º lugar no concurso de Perito Criminal do IGP-RS em 2017, também em 1º lugar na PCI-SC e 2º lugar no Paraná. Desde então, já ajudou mais de 3.000 mentorados a se prepararem de forma completa, sem deixar pontos como o TAF de lado na reta final.

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